Agosto 11, 2021

Confissões de uma empreendedora que nunca quis ser empreendedora

É PESSOAL

Eu sei o que muitas pessoas pensam sobre mim. Mal de mim se não soubesse, esse é um dos pontos trabalhados no Personal Branding.

Pragmática.

Direta.

Corajosa.

Lutadora.

Forte.

Profissional.

Bem-sucedida.

(Snob, nariz empinado,..., mas isso não interessa nada ;)

Sim, sou isso tudo acima (menos o último). Mas não só. Sou uma série de outras coisas que nem sempre estão à vista de todos.

 

Sou real, não sou perfeita. Quem é?

 

Tenho dias maus. Tenho dias em que não me apetece fazer nada. Tenho dias em que não me apetece falar com ninguém. Tenho dias em que choro. Tenho dias em que só me apetece desistir. Se me segue nos últimos tempos, sabe do que falo. Vivo uma fase em que preciso muito refletir e tomar decisões. Não sou de desistir. Depois de tudo o que construí nos últimos anos? Pois é, mas há dias assim...

 

Há pouco mais de 3 anos, tive de tomar uma decisão. Decidir o que queria para a minha vida e carreira. Depois de uma pausa "forçada", percebi que não queria voltar a trabalhar em empresas. Entrei num turbilhão de pensamentos e emoções, parei e pensei no que gostava e no que sabia fazer, depois de ter dito mil e uma ideias (algumas um pouco "parvas", penso eu agora). E a resposta a essas duas perguntas foram: gestão de Marcas. É mesmo o que sei e o que gosto. Mas se não queria voltar ao mundo corporativo e só havia uma forma de o praticar. Lançar-me a solo. Empreender. Criar o meu negócio. Algo que nunca me tinha passado pela cabeça. Sempre pensei que iria trabalhar nas empresas para sempre. Só que não.

 

Sem salário fixo, sem regalias, sem apoio de muitas pessoas. Aí fui eu.

  • Em busca de mais tempo para estar com a família, dei por mim muitas vezes a massacrar-me por não o estar a cumprir (estava ainda menos).

  • Em busca da minha realização profissional, dei por mim com uma bipolaridade de sentimentos. Tanto estava radiante como me apetecia mandar tudo às urtigas.

  • Em busca de agitar o mercado em Portugal, dei por mim a criar e lançar coisas que me orgulho tanto, mas também a abraçar a resistência das pessoas a este tema.

  • Em busca de sucesso, dei por mim a mergulhar num mundo de comparações, invejas e falsidade.

  • Em busca de uma nova realidade, dei por mim a questionar se faria sentido voltar atrás. Mas aí sabia que não, não valia.

 

Nunca desejei ser empreendedora.

 

Nem gosto de me apresentar com este título. Também não acho que seja apenas isso. Eu sou eu, a Vera Medronho. Não quero títulos pomposos, não quero fama. Quero ser feliz. Seja já isso o que for.

Nunca desejei ter uma mega empresa, com uma equipa, com um escritório gigante.

Nunca, até que na publicação em que partilhei sobre a vontade de desistir, alguém me perguntava os meus objetivos. E muitos outros comentários ressoaram em mim. A sério, talvez não tenham bem a noção da importância do que escreveram. Pensei muito em todos.

 

Fará sentido continuar sem os desejos acima? Eu que trabalho Personal Branding e defendo e pratico com os meus clientes o auto-conhecimento, definição de objetivos e planos ambiciosos? Fará sentido? Talvez não.

 

Com 3 anos disto e tendo criado tudo o que criei? Olho para a lista dos meus clientes, para tudo o que fiz, para a marca que criei. É muito mais do que imaginei neste curto tempo e não, não pode acabar assim.

 

 

Se faço o que faço por dinheiro? Também. Preciso dele para viver. Mas nunca foi isso que me moveu neste trabalho. Noutros trabalhos sim, confesso (e não acabou bem). Mas neste, há tantas coisas incríveis. Posso ter ideias e implementar, posso ajudar outras pessoas, posso impactar o Mundo, posso ser eu mesma, posso escolher uma série de coisas. Sim, foi isto que escolhi. E é para isso que olho agora. Escolhi em consciência.

 

Tenho medos como toda a gente. Isso de não ter medo não existe. A grande questão é o que se faz com o medo. Paralisa-se? Ou enfrenta-se?

 

Investi muito dinheiro e tempo nisto. Chorei muito. Demorei a alcançar os resultados que queria. Mas consegui. Com o meu cérebro, poupanças, internet e CORAGEM. Foi disso que precisei. Eu sempre acreditei em mim.

 

Tenho as minhas batalhas internas. Não gosto da exposição (na verdade, odeio). Não gosto de vídeos (quando sei que os terei de fazer). Não gosto do Instagram (quando sei que tenho de lá estar). Não gosto da ribalta. Não gosto de mostrar a minha vida. Não gosto de uma série de coisas que vejo na internet. Não gosto da falta de ética. Mas e o que faço com isso? Sigo em frente. Mentalizo-me do que é melhor para mim e para o meu negócio e avanço. Sem nunca ultrapassar determinados limites que sei que não me farão bem ultrapassar. Todos temos de fazer sacrifícios em todos os nossos trabalhos, mesmo que se ame o que se faz.

 

Hoje, escrevo este artigo. Escrevo porque gosto de escrever, me faz bem, preciso pôr isto cá para fora. Precisarei olhar para isto mais tarde, para recordar.

 

Empreender pode ser algo muito solitário, por vezes. Mesmo que estejamos rodeados de muitas pessoas. Descobrir em quem podemos confiar e contar pode ser uma aventura enorme. Foco-me muito nos meus clientes, eles nunca me deixam ficar sozinha.

 

Dizem que o nosso propósito muda de 3 em 3 anos. Será? Não acho que o meu propósito tenha mudado. É a vida. E como digo muitas vezes, a vida não é uma linha reta. Sempre a evoluir.

Gosto do que faço e não me vejo a fazer algo muito diferente. Sei é que terei sempre de me reinventar e reinventar o meu negócio, pois não gosto da rotina.

 

Não me arrependo de ter partilhado a minha vulnerabilidade. E sabe porquê? Porque eu precisava deitar cá para fora. Porque eu precisava ler tudo o que li. Porque eu preciso de ir abaixo para voltar ainda mais forte. É assim que funciono.

 

Não me arrependo porque sou assim. Digo o que sinto. Não acho que seja "fraca" por o ter feito. Acho que partilhei o que muitas pessoas sentem, mas poucas têm coragem para revelar publicamente. Estou farta de ver flores, borboletas e glamour na internet. Falam de autenticidade, mas escondem um monte de falsidade (alguns). Falam dos sete dígitos, do que fizeram, do que aconteceram... Mas e partilhar o outro lado? E não me venham dizer que não existe, porque não acredito. Também não estou a dizer para virem gritar para o mundo todas as dúvidas existenciais que surjam. Mas se falam de verdade e de autenticidade, então façam-no em pleno. E façam-no para ajudar outras pessoas e para mostrarem que são de carne e osso (os que são).

Até os super-heróis vão abaixo.

Continuarei a partilhar o bom e o mau. Porque a vida é mesmo assim.

 

Parece que o sucesso é medido pelo nº de likes, seguidores, colaboradores, produtos vendidos, eventos realizados,... Estou a borrifar-me para isso. Estou farta de certos termos. Sucesso. O que é sucesso? Para mim, é poder ser eu e viver os dias como quero e com quem quero.

 

Há toda uma pressão à volta de quem empreende. Pressão, incompreensão e comparação. Get a life, pessoal. Deixem cada um ser como é e seguir o seu caminho e façam o mesmo.

 

Como lido com tantas coisas? A resposta pode parecer um cliché, mas sendo eu própria. Digo o que penso, respondo, descarrego, bloqueio, mando para os sítios que tiver de mandar,...não quero saber. E depois, claro, vem a acumulação disto tudo e rebento. Pois é, é assim que eu sou.

 

O futuro? Penso muito no futuro. Não consigo parar de ter ideias. Para 2022, tenho planeado algo completamente disruptivo e polémico. Quero ganhar dinheiro, sim, preciso dele. Mas quero muito abraçar as minhas causas, as minhas lutas.

 

Não sei se farei Personal Branding para sempre. Provavelmente não. Mas por agora (e acredite que pensei muito nisto), não me ocorre outra coisa.

 

Olhando para trás e analisando tudo o que aconteceu, não vou ser humilde agora e aqui.

 

Sei que revolucionei o mercado do Personal Branding em Portugal. Sei que sou líder em Portugal.

 

Sei que criei o que mais ninguém criou. Sei que lancei uma Agência como ninguém lançou em Portugal. Sei que inspiro pessoas. Sei que mudei a vida dos meus clientes. Sei que sou boa no que faço. Sei que vou continuar, mais forte do que nunca.

 

É fantástico liderar algo, mas...

O preço a pagar por sermos líderes? As "armas" apontadas à nossa cabeça. Um monte de invejas, cópias e ataques. Claramente, de pessoas e empresas que não conhecem a Vera Medronho.

Cada pessoa tem o seu lugar. Então, que o conquiste de forma justa e honesta. Que cumpra as "regras do jogo" que são iguais para todos.

Lutarei até mais não. Sempre. Até porque descobri que não sei viver de outra forma.

 

Conquistei o meu espaço e vou continuar a lutar, não para o manter, mas para o fazer crescer.

Esta é a minha escolha.

Esta sou eu. Humana. Real. Powerful.